» Texto “Estudar pra quê” no vestibular da Universidade Federal de Juíz de Fora
Postado em December 22, 2009
Caros leitores, com muita satisfação eu gostaria de anunciar que o texto “Estudar pra quê?” foi utilizado como base para questões na prova da Universidade Federal de Juíz de Fora. Infelizmente, como vocês jâ devem saber, esse blog foi vítima de malwares e por conta disso eu acabei perdendo o post original. Porém, o texto e o link para a prova seguem para quem se interessar. Agradeço ao vestibulando William César, do Sociedade em Foco, pelos cumprimentos e por ter me deixado a par dos acontecimentos.
Estudar pra quê? – A polêmica decisão do STF sobre o curso de jornalismo.
Na última quarta-feira, dia 17, o Supremo Tribunal Federal derrubou, por 8 votos a 1, a
obrigatoriedade do diploma universitário para exercer a profissão de jornalista. Como
argumento para tal decisão, entrou em cena a boa e velha falácia de que “jornalismo é dom, estudo não transforma ninguém em gênio”. Não sou jornalista. Sou designer. Poderia passar o dia inteiro falando sobre o quanto a não regulamentação e a falta de um diploma para exercer determinada atividade são profissionalmente prejudiciais à minha área de atuação. Mas o problema que eu vejo nesse tipo de decisão é ainda mais grave. É o que costumo chamar de Síndrome de Mozart e Macunaíma.
Infelizmente, no que diz respeito a trabalho e ocupação, vejo que os brasileiros ainda têm a mentalidade do dom divino nato. Um indivíduo não precisa passar anos numa escola para aprender. Se ele tiver dom, tiver a “coisa no sangue”, se tiver “ginga e jeitinho”, não precisa de estudo. Jogador de futebol estuda? Não, ele tem a bola no sangue. Washington Olivetto é formado em Publicidade? Não, ele aprendeu tudo na raça pois sempre foi gênio. Jimi Hendrix freqüentou aulas de guitarra? Nunca passou perto delas. Quem é gênio, nasce gênio. Mozart escreveu sua primeira ópera com 14 anos. Um sujeito que tem boas piadinhas e sacadas certamente será um publicitário genial. Pra quê se matar na faculdade se ele já tem o dom pra coisa? Bora trabalhar e fazer campanhas geniais. E um sujeito que é bom argumentador e não perde discussão de jeito nenhum? Já é um brilhante advogado! Pra quê passar por toda a burocratização da faculdade e da OAB? Isso é coisa de quem não tem Direito no sangue. Aliás, por que não tirar a obrigatoriedade de diploma universitário de todos os cursos? Profissão é muito mais dom do que esforço. A obrigatoriedade faz com que só aqueles que se esforçam muito – e por conseqüência têm pouco talento – possam estar em determinada profissão. Mas e os Mozarts? Aqueles gênios natos e jovens compositores de ópera que não precisam estudar? Eliminar a obrigatoriedade dos diplomas daria a oportunidade aos verdadeiros talentosos e munidos de dom divino de exercer a atividade para o qual foram destinados. Então, nada mais justo do que seguir o exemplo dos jornalistas e dar oportunidade a quem realmente tem habilidade profissional no sangue em detrimento de quem passa anos numa cadeira de faculdade, certo? ERRADO.
A Síndrome de Mozart, do talento nato, da ginga ou sei lá que outro nome, tão cultivada aqui no nosso país, na realidade não passa da Síndrome do Macunaíma. Sim, Macunaíma, aquele mesmo do “Ai, que preguiça”. Por aqui, talento e aptidão são desculpas para não estudar e não elevar o próprio nível. Por aqui acredita-se que teoria é inútil e a prática, sozinha, é capaz de revelar o verdadeiro gênio presente dentro de cada um. Infelizmente no Brasil, ainda impera a mentalidade de que “esse negócio de estudar 12 horas por dia, de se esforçar, de sair de casa pra estudar na Universidade, é coisa de americanos, japoneses e alemães – povos pouco talentosos. Mas brasileiro tem dom, não precisa disso”. Na verdade, o talento sem estudo não passa de aptidão não desenvolvida. O estudo tem como principais funções agilizar o processo de execução de uma tarefa e estimular o raciocínio crítico em cima de determinada ocupação. Tomando como exemplo um designer: aquele que nunca estudou, depois de trocentas tentativas, descobrirá que ciano, magenta e amarelo são cores que ficam bem juntas. Já aquele que passou por uma escola de design não só já sabe que essas 3 cores combinam porque são equidistantes no círculo de cores, mas também é capaz de criar várias outras
composições utilizando o mesmo raciocínio. Se o diamante sem lapidação é carbono, assim é o profissional que se recusa a estudar.
Portanto, caros leitores, fica aqui meu conselho: a despeito da obrigatoriedade de ter ou não um diploma para exercer determinada função, simplesmente ESTUDEM. Leiam MUITO, façam atividades extracurriculares, pensem, questionem, discutam, confrontem. Não façam parte dessa grande massa de analfabetos funcionais que o Brasil vem se tornando. Pois todas as profissões na vida até podem ser “aprendidas” na prática. Mas somente o estudo é capaz de nos ensinar aquilo que nos define como seres humanos: a PENSAR.
Para quem quiser, o link com as questões da prova http://www.vestibular.ufjf.br/files/2009/12/pobjvest.pdf
Categoria: Política
Comentários
6 respostas para “Texto “Estudar pra quê” no vestibular da Universidade Federal de Juíz de Fora”
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[...] This post was mentioned on Twitter by Heloisa Biagi and Mariana S. C. Flach, Mariana S. C. Flach. Mariana S. C. Flach said: http://bit.ly/5HukrG MATOU A PAU!!! [...]
Parabéns Helô!
Concordo totalmente com suas palavras.
Fernando Borsatto
[...] Fecha aspas dica da Heloisa [...]
Helô!
A dica da leitura foi passada pela Arlete e o que você escreveu é brilhante. Estou até passando a uma amiga jornalista que ficou indignada com toda esta história.
Suas palavras foram sábias e brilhantemente postuladas……
PARABÉNS!
Este seu médico indicou e medicou com sucesso e que estes teus dedinhos não parem…..
Um beijo
Cris
oi, passei pra conhecer seu blog, e desejar boa semana
bjss
aguardo sua visita
Boa tarde, chegou fim de semana!!
Por isso lhe desejo que vc fique com os seus, e aproveite totalmente estes 2 dias de folga.
bjssss