» Texto “Estudar pra quê” no vestibular da Universidade Federal de Juíz de Fora
Postado em December 22, 2009
Caros leitores, com muita satisfação eu gostaria de anunciar que o texto “Estudar pra quê?” foi utilizado como base para questões na prova da Universidade Federal de Juíz de Fora. Infelizmente, como vocês jâ devem saber, esse blog foi vítima de malwares e por conta disso eu acabei perdendo o post original. Porém, o texto e o link para a prova seguem para quem se interessar. Agradeço ao vestibulando William César, do Sociedade em Foco, pelos cumprimentos e por ter me deixado a par dos acontecimentos.
Estudar pra quê? – A polêmica decisão do STF sobre o curso de jornalismo.
Na última quarta-feira, dia 17, o Supremo Tribunal Federal derrubou, por 8 votos a 1, a
obrigatoriedade do diploma universitário para exercer a profissão de jornalista. Como
argumento para tal decisão, entrou em cena a boa e velha falácia de que “jornalismo é dom, estudo não transforma ninguém em gênio”. Não sou jornalista. Sou designer. Poderia passar o dia inteiro falando sobre o quanto a não regulamentação e a falta de um diploma para exercer determinada atividade são profissionalmente prejudiciais à minha área de atuação. Mas o problema que eu vejo nesse tipo de decisão é ainda mais grave. É o que costumo chamar de Síndrome de Mozart e Macunaíma.
Infelizmente, no que diz respeito a trabalho e ocupação, vejo que os brasileiros ainda têm a mentalidade do dom divino nato. Um indivíduo não precisa passar anos numa escola para aprender. Se ele tiver dom, tiver a “coisa no sangue”, se tiver “ginga e jeitinho”, não precisa de estudo. Jogador de futebol estuda? Não, ele tem a bola no sangue. Washington Olivetto é formado em Publicidade? Não, ele aprendeu tudo na raça pois sempre foi gênio. Jimi Hendrix freqüentou aulas de guitarra? Nunca passou perto delas. Quem é gênio, nasce gênio. Mozart escreveu sua primeira ópera com 14 anos. Um sujeito que tem boas piadinhas e sacadas certamente será um publicitário genial. Pra quê se matar na faculdade se ele já tem o dom pra coisa? Bora trabalhar e fazer campanhas geniais. E um sujeito que é bom argumentador e não perde discussão de jeito nenhum? Já é um brilhante advogado! Pra quê passar por toda a burocratização da faculdade e da OAB? Isso é coisa de quem não tem Direito no sangue. Aliás, por que não tirar a obrigatoriedade de diploma universitário de todos os cursos? Profissão é muito mais dom do que esforço. A obrigatoriedade faz com que só aqueles que se esforçam muito – e por conseqüência têm pouco talento – possam estar em determinada profissão. Mas e os Mozarts? Aqueles gênios natos e jovens compositores de ópera que não precisam estudar? Eliminar a obrigatoriedade dos diplomas daria a oportunidade aos verdadeiros talentosos e munidos de dom divino de exercer a atividade para o qual foram destinados. Então, nada mais justo do que seguir o exemplo dos jornalistas e dar oportunidade a quem realmente tem habilidade profissional no sangue em detrimento de quem passa anos numa cadeira de faculdade, certo? ERRADO.
A Síndrome de Mozart, do talento nato, da ginga ou sei lá que outro nome, tão cultivada aqui no nosso país, na realidade não passa da Síndrome do Macunaíma. Sim, Macunaíma, aquele mesmo do “Ai, que preguiça”. Por aqui, talento e aptidão são desculpas para não estudar e não elevar o próprio nível. Por aqui acredita-se que teoria é inútil e a prática, sozinha, é capaz de revelar o verdadeiro gênio presente dentro de cada um. Infelizmente no Brasil, ainda impera a mentalidade de que “esse negócio de estudar 12 horas por dia, de se esforçar, de sair de casa pra estudar na Universidade, é coisa de americanos, japoneses e alemães – povos pouco talentosos. Mas brasileiro tem dom, não precisa disso”. Na verdade, o talento sem estudo não passa de aptidão não desenvolvida. O estudo tem como principais funções agilizar o processo de execução de uma tarefa e estimular o raciocínio crítico em cima de determinada ocupação. Tomando como exemplo um designer: aquele que nunca estudou, depois de trocentas tentativas, descobrirá que ciano, magenta e amarelo são cores que ficam bem juntas. Já aquele que passou por uma escola de design não só já sabe que essas 3 cores combinam porque são equidistantes no círculo de cores, mas também é capaz de criar várias outras
composições utilizando o mesmo raciocínio. Se o diamante sem lapidação é carbono, assim é o profissional que se recusa a estudar.
Portanto, caros leitores, fica aqui meu conselho: a despeito da obrigatoriedade de ter ou não um diploma para exercer determinada função, simplesmente ESTUDEM. Leiam MUITO, façam atividades extracurriculares, pensem, questionem, discutam, confrontem. Não façam parte dessa grande massa de analfabetos funcionais que o Brasil vem se tornando. Pois todas as profissões na vida até podem ser “aprendidas” na prática. Mas somente o estudo é capaz de nos ensinar aquilo que nos define como seres humanos: a PENSAR.
Para quem quiser, o link com as questões da prova http://www.vestibular.ufjf.br/files/2009/12/pobjvest.pdf
Categoria: Política
» Dicas para um blog de sucesso (siga por sua conta e risco)
Postado em December 13, 2009
Anda sem dinheiro? Frustrado? Carente? Não se preocupe! O Fecha Aspas preparou para você um kit com 10 passos essenciais para se tornar um blogueiro hype de sucesso e fazer seu blogzinho capenga bombar com tantas visitas. Você virará a sensação da blogosfera, twittosfera e o que mais-sfera e deixará os Piratas morrendo de inveja!

Então, chega de conversa e vamos ao que interessa:
1. Seja polêmico. Só polêmica gera buzz e comentários. Se você postar que o Lula é uma anta, bem, isso não é novidade, todo mundo acha isso, e sua opinião será mais uma gota no oceano. Agora experimente postar que o Johnny Depp é um tremendo canastrão e observe a reação do público: a quantidade de comentários, xingamentos e reações que tal afirmação pode gerar é tudo que um blogueiro sempre sonhou. Ainda que ela não faça nenhum sentido ou você simplesmente não tenha argumentos para sustentá-la. O importante aqui não é ser acadêmico, e sim polêmico.
2. Não pense: escreva. Se você pensar muito, seu bom senso te impedirá de escrever muitas bobagens, mas são justamente essas bobagens que criam polêmica e rendem ibope/comentários/visitas/assinaturas do feed/ trackbacks. Então, quando sentir vontade de postar, simplesmente poste. Se você for mulher, poste durante a TPM. Se você for homem, poste logo após seu time ter levado uma surra do rival. Nem perca seu tempo revisando erros. Você pode desistir de dizer certas coisas bombásticas e fugir da regra número 1.
3. Já que a regra é ser polêmico e fazer as coisas sem pensar, detone o livro que você não leu, o disco que você não ouviu, o filme que você não assistiu, o jogo que você não jogou e a banda que você não conhece. E lembre-se: falar mal de algo sempre atiça os instintos mais primitivos dos leitores. Ninguém vai até o Orkut postar uma resenha legal sobre a banda preferida. Mas coisas do tipo “olha o que esse idiota falou sobre nosso querido Sbrubles” têm um efeito devastador.
4. Destile seu veneno contra coisas “pop” e repletas de fãs e defensores ferrenhos. Fale mal de True Blood, Harry Potter, Lost, House, Guitar Hero e Iron Maiden. Fale que o Quentin Tarantino é uma falácia, que a Scarlett Johansson é gorda e que o Roger Federer só ganha porque não tem rivais. Ainda que você não saiba quem é o Dr. Wilson ou nunca tenha pegado numa raquete. Lembre-se das regras 2 e 3.
5. Seguindo a mesma lógica, não poupe elogios a inimigos públicos número 1. Fale bem do Sarney, do Dado Dolabella, do Hugo Chávez, do Paulo Coelho… até Hitler tá valendo.
6. Seja underground. Pegue aquela banda islandesa de trip polka alternativa e diga que ela é melhor que Beatles. Pegue aquele filme independente rodado em preto e branco e sem cortes daquele diretor iraniano e diga que ele é mil vezes melhor do que, sei lá, Homem de Ferro. Além de gerar manifestações de ódio e repúdio (e obedecer à regra número 1), você ainda ganha a simpatia dos modernérrimos cults e “formadores de opinião” que existem aos montes na web – ainda que nem eles saibam exatamente do que você está falando.
7. Seja politicamente incorreto e puxe briga com as minorias, ainda que lhe falte inteligência e sagacidade para tal. Chame preto de “macaco”, diga que “lugar de mulher é pilotando fogão” e que “bicha tem mais é que dar o rabo em outro lugar”. Caso receba alguma repreensão mais séria, diga que se trata de uma manifestação comunista contra a sua sagrada liberdade de expressão.
8. Faça listas. Listas são polêmicas por natureza. E certifique-se de que o topo da sua lista seja o mais improvável – e conseqüentemente polêmico – possível. Por exemplo: numa lista de melhores vocalistas de rock, coloque o Chorão do Charlie Brown Jr. na frente do Freddie Mercury e do Robert Plant. Sucesso garantido ou seu dinheiro de volta.
9. Manuais de comportamento do tipo “Como se passar por mocinha inocente e não espantar seu pretendente com seu cargo de chefia e salário de 10 mil reais” ou “Como disfarçar sua cara de nerd e sua total falta de experiência com mulheres diante do seu primeiro encontro” costumam ser uma boa pedida. Aliás, blogs só com manuais desse tipo estão em alta. E o melhor de tudo é que você nem precisa ser psicólogo pra escrever artigos do gênero. Lembre-se da regra 3.
10. Posts irônicos rendem manifestações inflamadas dos que não entenderam a piada (ou seja, buzz) e saudações calorosas de quem captou o espírito da coisa.
Categoria: Web
» Entrevista com Brüno
Postado em December 13, 2009
Pouco antes da sua estréia nos cinemas, o über reporter Brüno, interpretado pelo comediante Sascha Baron Cohen (o impagável Borat), respondeu a uma sabatina de perguntas enviadas pelos leitores do Digg com muita irreverência e sem perder a pose. A tradução dessa entrevista você pode conferir abaixo:
1-) Se você tivesse a oportunidade de sair com Kim Jong Il ou Mahmoud Ahmadinejad, quem você escolheria e o que você faria? Seja específico.
B: Não curto tanto o King Jong Il. Eu acho que escolheria Mahmoud Ahmadinejad, porque após uma noite com Brüno, ele viraria “Ah, yeah madinejad”. Ele é tão fofinho e tem bochechinhas ao estilo motorista de táxi. Na minha opinião, ele é o homem mais lindo do Oriente Médio. Ele é uma espécie de George Clooney árabe. Algumas semanas atrás, ele disse que “não existe gays no Irã”, e imagino que isso indica o quanto ele é sexualmente frustrado. Acho que toda a energia nuclear do Irã que espera ser descarregada está dentro das suas calças, hohoho.
2-) O que você acha do ator Sascha Baron Cohen?
Você diz Zasha Barron Cohen? Vi um de seus filmes, Borat, pois na época todos ficavam com aquela história de “Borat, Borat”. Não consegui gostar do filme, pois achei um retrato ofensivo dos estrangeiros. E o cara, quero dizer, Cohen, obviamente é gay. Quanto à esposa dele… aposto que até Katie Holmes faz mais sexo que ela. Ele é um homem de Judá, ou seja, judeu… quero dizer, adoro judeus, mas não há nenhum na Áustria, não sei onde eles foram parar!
3-) Qual é a religião “hype” desse ano?
A do ano passado com certeza foi o Islamismo. Foi hype total, foi como a cintura da Oprah, ou seja, uma coisa monstruosa. Mas Osama perdeu a noção das coisas. Ele parecia super fofinho, mas hoje em dia parece mais um Papai Noel sem teto em uma visita ingrata. Para este ano, acho que a religião mais cool com certeza é o Pilates, que está virando moda em todo lugar.

4-) Qual é a doença mais “sexy” do momento? A gripe suína já virou pop? Qual é a próxima pandemia?
Primeiro de tudo, créditos a quem fez a campanha de prevenção à gripe suína. Foi maravilhosa, faz um vagalume parecer um ipod nano. Mas em termos de pandemia para o próximo ano, eu espero que a bulimia seja combatida adequadamente. A bulimia sempre foi meu distúrbio alimentar número um. Fui o primeiro austríaco a ter bulimia em 1983, ou seja, 4 anos antes da princesa Diana ter a doença, aquela vadia…
5-) O que você achou do novo filme do Harry Potter?
Acho que está na hora do Harry se assumir. Quero dizer, eu já sabia que ele era gay quando o encontrei 4 anos atrás em Mikonos. E sendo sincero: vocês precisam avisar as pessoas para ficarem longe dele. Ele deu de presente para um amigo meu um equipamento de Quadribol horrendo. Aparentemente, em Hogwarts, seu arschenhale fica devidamente encoberto, mas fora de lá…
Ele seduziu esse amigo com uma poção magia que parecia ter uma parte de maconha, red bull, duas partes de vodka e roofie*. Imagino que ele não tem nenhuma vassoura mágica entre as pernas, no máximo uma escovinha de dente.
* sedativo

6-) Qual impacto você acha que Hitler causou na moda militar?
Basicamente todo o estilo austríaco foi influenciado por Hitler. E Hitler foi responsável pelos uniformes militares mais estilosos dos últimos 3 mil anos, tirando os dos comissários de bordo, é claro. Quero dizer, você até pode não concordar com a política de Adolph, mas não vamos entrar nesse assunto pois isso pode não dar muito certo. Mas vamos concordar que o combo do uniforme marrom mais as botas de combate é mais sexy do que qualquer outra coisa. Na minha opinião, se Hitler tivesse colocado mais cores nos uniformes das tropas, talvez elas tivessem arrancado mais sorrisos da multidão enquanto desfilavam pela Europa. Pessoalmente falando, quanto ao seu bigode… há pessoas que ficam horríveis de bigode como Stalin, Einstein ou Susan Boyle, e há pessoas que ficam ótimas… acho que o cantor P!nk seria uma delas, não sei porque ele nunca tentou usar. O que há de peculiar em Hitler é que… bem, eu conheço o neto do seu assistente pessoal, e segundo ele, aparentemente por trás das câmeras, Hitler era um tirano de verdade! E na Áustria, é interessante lembrar que, por décadas, o tamanho do seu bigode tinha relação com o tamanho do seu schwanzstücke. Isso explica porque Freddie Mercury estava sempre sorrindo, e porque Adolph passava a maior parte do tempo irritado.
7-) O que você acha das Crocs?
Crocs, os sapatos? Elas são confortáveis, práticas e baratas, ou seja: tudo o que eu desprezo num sapato. Os alemães sim sabiam como criar sapatos fashion: eles até construíram o Muro de Berlim para separar as pessoas bem vestidas das mal vestidas. Crocs jamais, jamais! Regra número 1 do mundo da moda: não use nada que você possa comprar num aeroporto. E trate suas roupas como você trata seus animais de estimação.
8 -) O que você acha do pacote de estímulo à economia de Obama?
Obama é incrível, ele é uma inspiração.Ele me dá muitas esperanças de que uma pessoa pode entrar na Casa Branca mesmo sendo sexy demais. Só acho que ele não precisa daquela vadia ao lado dele. Você sabe, Michelle? Espero que não exista mais segregação racial e os americanos possam concentrar seu preconceito nas pessoas gordas e mal vestidas. As quais existem em toda a parte na América.
9-) Qual o acessório mais importante para uma mulher hoje: um melhor amigo gay ou um bebê africano?
Esqueça o seu vestido pretinho básico. Graças à Madonna, o bebezinho negro é O acessório obrigatório dessa temporada. O melhor das crianças negras é que elas ficam bem com qualquer modelito. Eu quero dizer, é uma grande batalha criar uma criança…a minha, que se chama O. J., é negra, o que é muito legal, e ele chora o tempo inteiro e faz scheisses nas suas cuecas, mas o meu ex-namorado também era assim. Eu o adotei, na verdade eu o comprei, na África, um lugar muito legal para afro-americanos. Eu até considerei comprar um leopardo, mas leopardos dão muito trabalho… você precisa ficar de olho neles 24 horas por dia, 7 dias por semana. O meu bebê é de Malauí… até pensei em adotar uma criança somali, mas fiquei preocupado quanto a esse lance de pirataria… não quero meu bebê invadindo o carrinho das outras crianças.
10-) Qual é o corte de pelos pubianos mais “quente” da estação?
Brüno não é fã de pelos. Nadinha no meu corpo… estou completamente depilado. Só deixo o meu “caminho da felicidade”. Mais homens passaram por aqui do que pela 5ª Avenida. É essencial depilar-se de vez em quando. Porém, tome cuidado pois ontem mesmo tentei depilar meu arschenhale com vela e botei fogo na minha cama. Mas por sorte estou aqui, vivo para promover meu filme. Eu uso a mesma cera da Salma Hayek. Eu digo cera, mas na verdade o que eu faço é uma espécie de carpinagem nas coxas… da última vez me disseram que eles tiraram pelos o suficiente para encher um colchão. Depilação com cera é importante, mas não tão crucial quanto depilação à fio. Você já fez depilação à fio? Nunca? Você precisa fazer no seu bumbum. Você sabe, se eu não depilasse meu arschenhale 5 vezes por semana, meu shtinker ficaria parecendo o Louis Armstrong durante um solo de trompete. É importante depilar-se porque você nunca sabe o que pode acontecer. Da última vez meu esteticista estava depilando meu shtinker e ele achou a cabeça de um boneco do Zack Effron lá.
(publicado originalmente em 14 de agosto de 2009)
Categoria: Cinema
» A Escola do Rock
Postado em December 13, 2009
E se o rock um belo dia virasse uma escola, onde é possível aprender na prática com os especialistas nos mais variados assuntos e deixar de lado todo aquele tédio da escola tradicional? Pois bem, após muitas tentativas, overdoses, cadeiras quebradas e rebeliões, a idéia deu certo, e é com muito prazer que apresentamos…
A escola para quem quer aprender na prática.
Conheça nosso corpo-docente:
Língua Portuguesa – Raul Seixas

Os professores Cazuza e Renato Russo acharam injusto. Mas ninguém mais indicado que o mestre Raulzito para ser o embaixador da língua portuguesa na Escola do Rock. Aos 12 anos, ele escreveu Metamorfose Ambulante. Desde então construiu uma carreira brilhanta marcada por letras poéticas e de grande significado. Se tivesse vivido um pouco mais, certamente teria se tornado um imortal na Academia Brasileira de Letras – posto que seu amigo e parceiro de composições Paulo Coelho surpreendentemente conseguiu alcançar.
História – Bruce Dickinson

Historiador diplomado, não há ninguém melhor no mundo do rock para fazer os alunos viajarem a qualquer lugar no tempo. Antigos faraós, conquistas de Alexandre Magno, caças britânicos da Segunda Guerra Mundial e castelos medievais são apenas alguns dos assuntos que deixarão os alunos do mestre Bruce completamente entretidos e silenciados durante suas aulas. Até porque nenhum aluno em sã consciência gostaria de ter o Air-Raid-Siren berrando em alto em bom tom na sua orelha, e muito menos de ver a batuta virar esgrima na mão do professor.
Geografia e Geopolítica – Bono Vox

Bono é um ativista social reconhecido e respeitado mundialmente. Já esteve com Lula, George W. Bush, lutou contra a AIDS na África, denunciou ataques do grupo terrorista irlandês IRA na década de 80 e é um defensor ferrenho do perdão da dívida externa dos países de terceiro mundo. Os alunos da Escola do Rock estão em boas mãos. Para manter seu vasto conhecimento geográfico, Bono faz questão de viajar e conhecer o maior número de países possível. De preferência, em longas e lucrativas turnês mundiais.
Matemática – Gene Simmons

O baixista e mentor do Kiss é o mago dos números. Controla precisamente o número de mulheres com quem dorme e é perito em somar o número de fãs e multiplicar os números de sua conta bancária. Ainda é mestre em elevar ao quadrado os números dos gastos com as turnês milionárias do Kiss, e em elevar ao cubo o lucro dessas mesmas turnês. É o professor de Matemática ideal. Só não lhe peça para dividir ou subtrair…
Biologia – Jeff Walker , Ozzy Osbourne, Marcelo D2

A área é bastante complexa, então é melhor dividirmos em 3 partes. Na área de anatomia, Jeff Walker, do Carcass, mostra a seus alunos aos berros o que é uma Supuração ou uma Fermentação do Tecido Hepático. Na área de Veterinária, os alunos têm muito o que aprender com o mestre Ozzy e suas dissecações de animais. Por último, a Botânica fica a cargo do professor D2, ex-Planet Hemp, que entende de erva como ninguém.
Química – Keith Richards

Apesar da enorme concorrência para o cargo, ninguém no mundo do rock supera os conhecimentos químicos de Keith Richards. Química orgânica, inorgânica, lícita, ilítica… de tudo ele já experimentou. Embora tenha se especializado em química ilícita, há rumores de que recentemente ele tem se dedicado intensamente ao estudo de química orgânica, e que um de seus experimentos na área consistiu em inalar as cinzas do próprio pai.
Física – Syd Barret

Flutuando profundamente, o som ressoa pelas águas congeladas submersas. Júpiter e Saturno, Oberon, Miranda, Titânia, Netuno, Titã…. estrelas podem ser bem assustadoras. Esse professor também. Apesar de insano e muitas vezes incompreensível à primeira vista, nenhum de seus fiéis discípulos ousa perder as viagens quânticas do professor Barret. Até porque ninguém tem certeza se ele vai voltar delas…
Artes plásticas – Freddie Mercury

Poucos sabem, mas além de cantor, músico, compositor e performer em níveis épicos, o vocalista do Queen também é bacharel em Design Gráfico e Artístico e tem uma galeria de trabalhos visuais mantida por sua mãe, Jer Bulsara. Inclusive foi ele quem criou e desenvolveu o logotipo da banda a partir do signo dos quatro integrantes. Certamente, um dos doutores da Escola do Rock.
Filosofia – Jim Morrison

Teatral, intenso, amante da sabedoria e ávido leitor e Sartre e Nietzche, o professor Morrison é o homem certo para organizar grandes ágoras de discussão ao ar livre e promover a filosofia do rock’n’roll com muita efervescência e entusiasmo. Fosse ele um professor universitário e certamente poderia ser encontrado nos arredores da FFLCH.
Ocultismo e Paganismo – Jimmy Page

Bem, colégios católicos obrigam seus alunos a assistir aulas de Ensino Religioso, certo? Então nada mais justo que a Escola do Rock também tenha aulas de ocultismo, paganismo, misticismo e outras “religiões” associadas ao rock. Para dar essas aulas, ninguém menos que o excelentíssimo senhor Page, grande admirador de Aleister Crowley e seu Thelema e que promete repartilhar com os alunos todo o seu conhecimento sobre as artes profanas. Ao contrário das aulas chatas e forçadas de Religião, nas aulas de Ocultismo os alunos são livres para ir e vir e fazer o que quiserem, pois esse há de ser o todo da lei.
(Texto originalmente publicado no Whiplash)
Categoria: Música
» 10 verdades sobre o RPG (e que você nunca vai ouvir falar por aí)
Postado em December 13, 2009
Muito diferente do que prega a mídia, os jogos de RPG podem ser fundamentais no desenvolvimento intelectual, social e cultural de seus jogadores por forçá-los a trabalhar em equipe e a desenvolver o raciocínio lógico. A seguir, confira uma lista com os 10 maiores benefícios do RPG para seus jogadores:
RPGs estimulam o convívio social: jogar RPG, requer, no mínimo, duas pessoas: um mestre, responsável pela criação do roteiro do jogo e dos desafios, e um jogador, que deverá passar pelos desafios propostos pelo mestre. Porém, a grande maioria dos jogadores prefere grupos de 5 a 7 pessoas (ou mais) para enriquecer a história e tornar o jogo mais interessante. Reunindo-se periodicamente, os jogadores criam um compromisso com o RPG e um laço de união entre si, que geralmente transcende o script e transforma parceiros de jogo em amigos na vida real.
Fortalecem as noções de trabalho em equipe: ao contrário da maioria dos jogos de estratégia, no RPG não há “vencedores” ou “perdedores”, e sim jogadores que devem colaborar entre si para enfrentar as situações propostas no roteiro. Juntos, eles devem planejar estratégias, debater opiniões e tomar decisões de acordo com o consenso do grupo para que todos sejam beneficiados, desenvolvendo assim seu espírito de trabalho em grupo.

Aprimoram a comunicação interpessoal: nos RPGs, assim como no teatro, os jogadores “interpretam” seus personagens através da fala, da expressão e do modo de agir. Ao interpretar um personagem com traços e personalidade diferentes dos seus, o jogador experimenta novas formas de se comunicar e acaba por expandir as possibilidades da própria expressão pessoal.
Desenvolvem a empatia do jogador: durante a trama, um personagem passa por diversas situações que lhe afetam emocional e psicologicamente: é ferido, perde amigos e entes queridos, é recompensado, ganha aliados, exerce influência sobre outros personagens, etc. Ao interpretar as reações do personagem diante de tais situações, o jogador desenvolve sua empatia e sua capacidade de compreender os sentimentos alheios.
Agilizam o raciocínio: lutas, esquivas, fugas, armadilhas e enigmas são apenas alguns exemplos de desafios que fazem parte do roteiro dos RPGs. Resolvê-los requer do jogador a capacidade de pensar rápido e criar soluções para problemas e pode se tornar um verdadeiro exercício de raciocínio lógico que logo se transforma em benefícios na vida real.
Incentivam a criatividade: todo o enredo do jogo se passa no imaginário dos participantes. Embora os jogadores volta e meia utilizem imagens de referência e esquemas para maior compreensão do roteiro, cada jogador acaba criando uma visão das situações a partir da própria imaginação, aprimorando assim sua capacidade de conceber mentalmente cenários e ações.
Estimulam ambos os hemisférios do cérebro simultaneamente: ao estimular tanto o raciocínio lógico do jogador quanto sua imaginação, o RPG propicia ao jogador benefícios semelhantes aos da leitura de um livro, que desenvolve simultaneamente ambos os hemisférios do cérebro (direito e esquerdo).
Enriquecem o conhecimento: a história de Dungeons and Dragons, o pioneiro e um dos mais populares RPGs de todos os tempos, se passa em um mundo fantástico paralelo baseado na Idade Média e possibilita a seus jogadores a familiarização com vários aspectos da cultura medieval, como as batalhas, vestimentas, hábitos, alimentação e hierarquia social. Outros jogos como o GURPS possuem versões cujos enredos se desenvolvem nos mais variados períodos históricos, desde as Cruzadas até o descobrimento do Brasil. Para os mais jovens, o RPG tem se mostrado uma ótima forma de aliar o estudo à diversão.
Desestimulam a violência: ao contrário do que é noticiado, RPGs não exigem contato físico. Todas as lutas, ações, esquivas e ferimentos ocorrem na imaginação dos jogadores, e não na realidade. Até mesmo uma simples queda de braço entre personagens deve ocorrer de acordo com as regras do jogo e testes propostos pelo mestre, e não por um desafio real entre os jogadores. Logo, jogadores que por acaso utilizem agressões físicas em sessões de RPG estão subvertendo o conceito original do jogo.
Suas estatísticas são favoráveis: no Brasil, cerca de 7 torcedores morrem todo ano em brigas de torcida de futebol, além de centenas ficarem feridos. Anualmente, cerca de 120 pessoas viciadas em jogos de apostas entram em tratamento no Hospital das Clínicas em São Paulo. Por enquanto não se tem notícias de mortes ou atos de violência realmente comprovados entre os jogadores de RPGs. Tampouco de RPGistas que passaram por alterações de comportamento e períodos de agressividade contra amigos e parentes. O RPG é um jogo pacífico que prega a colaboração e o espírito de equipe entre seus jogadores. Portanto, não julgue um livro pela sua capa assustadora. Seu conteúdo prega valores inestimáveis à construção do caráter de um indivíduo.
(Texto publicado no site da editora Daemon)
Categoria: Jogos e RPGs





